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CONTENT DESIGN · TESTES A/B

Experimentação de conteúdo em produtos financeiros

6 min de leituraBaixar o case completo em PDF.

Dois experimentos que exploraram como escolhas de linguagem e interface influenciam o comportamento das pessoas e apoiam decisões de negócio.

Maior taxa de cliques observada · Portocred

38,71%

Maior taxa de cliques observada · Portocred

Abandono na variante selecionada · Itaú

12%

Abandono na variante selecionada · Itaú

Contexto

Experimentar para tomar decisões mais informadas

Em produtos financeiros, uma escolha de conteúdo pode influenciar desde o interesse por uma oferta até a compreensão das condições de um serviço.

Os dois experimentos reunidos neste case partiram de desafios diferentes: aumentar a interação com uma campanha de crédito e promover o uso consciente de um mecanismo de contestação Pix.

Em ambos, a experimentação permitiu comparar alternativas de comunicação a partir de dados de comportamento, considerando os objetivos do produto e as necessidades das pessoas.

O que foi feito

EXPERIMENTO 01 — PORTOCRED · 2022

Como diferentes abordagens de CTA influenciam a taxa de cliques?

Contexto e hipótese

Em uma campanha de e-mail marketing desenvolvida pela Parcelex em parceria com a Portocred, para oferta de empréstimo pessoal, buscamos identificar quais abordagens de comunicação despertavam maior interesse.

Fui responsável pela estratégia de conteúdo e pela redação do e-mail marketing, incluindo a criação das quatro variações de CTA utilizadas no experimento. O design visual do e-mail foi desenvolvido por Product Design.

Para isso, testamos quatro variações do texto do botão de chamada para ação, distribuídas aleatoriamente pelo HubSpot. O restante do e-mail permaneceu igual, permitindo comparar o desempenho das alternativas.

A hipótese era que diferentes escolhas de linguagem, mesmo em um único componente, poderiam influenciar a disposição das pessoas para clicar e conhecer a oferta.

Estratégia de conteúdo

As quatro alternativas exploraram abordagens distintas:

A — Exclusividade: destacar a possibilidade de condições especiais, com uma chamada de baixo comprometimento. CTA: “Conferir condições especiais”.

B — Urgência: utilizar uma chamada direta, associada à ação imediata de solicitar o produto. CTA: “Solicitar empréstimo agora”.

C — Identificação pessoal: aproximar a mensagem da linguagem cotidiana, expressando a necessidade de crédito em primeira pessoa. CTA: “Preciso de empréstimo”.

D — Racionalidade: apresentar a simulação como etapa anterior à decisão de contratar. CTA: “Simular empréstimo pessoal”.

Resultados observados

A

Exclusividade

Conferir condições especiais

Taxa de cliques

23,73%

B

Urgência

Solicitar empréstimo agora

Taxa de cliques

38,71%

Maior taxa observada

C

Identificação pessoal

Preciso de empréstimo

Taxa de cliques

22,78%

D

Racionalidade

Simular empréstimo pessoal

Taxa de cliques

35,34%

As taxas representam cliques nos CTAs, não conversão em empréstimos. A comparação não estabelece significância estatística.

A variação B, com uma chamada direta à solicitação do empréstimo, registrou a maior taxa de cliques observada: 38,71%. Em seguida veio a variação D, orientada à simulação, com 35,34%.

As abordagens de exclusividade e identificação pessoal apresentaram taxas menores nesse experimento.

Aprendizado

As chamadas que explicitavam uma ação concreta — solicitar ou simular — registraram maior interação do que aquelas centradas em benefícios genéricos ou identificação pessoal.

O experimento forneceu evidências para orientar futuras decisões de comunicação, mostrando como pequenas mudanças de linguagem podem estar associadas a diferenças relevantes no comportamento.

Os percentuais representam resultados observados na campanha, sem comprovação documentada de significância estatística ou de maior conversão em empréstimos.

EXPERIMENTO 02 — ITAÚ · 2026

Como promover o uso consciente da contestação Pix sem criar barreiras de acesso?

Contexto e desafio

Com a introdução do Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, a contestação Pix passou a fazer parte de uma jornada ainda pouco familiar para muitas pessoas.

Havia dúvidas sobre as situações contempladas pelo mecanismo. Transferências enviadas por engano para a conta errada, por exemplo, também motivavam tentativas de contestação, embora não estivessem cobertas pelo MED.

Esse cenário contribuiu para um aumento expressivo das solicitações e trouxe desafios operacionais.

Ao mesmo tempo, havia uma restrição fundamental: a jornada não poderia impedir a abertura de uma contestação.

O desafio era tornar as regras mais compreensíveis e ajudar as pessoas a avaliar melhor suas solicitações, sem criar obstáculos indevidos para quem precisava utilizar o recurso.

Hipóteses e estratégia de conteúdo

Fui responsável pelo design das quatro variantes da interface e pela elaboração dos conteúdos testados, explorando diferentes formas de apresentar as regras do MED e solicitar confirmação durante a jornada de contestação Pix.

O experimento foi conduzido em parceria com a área de Experimentação do Itaú, responsável pelo rigor metodológico e pela validação estatística.

As alternativas exploraram diferentes maneiras de apresentar informações e solicitar confirmação, incluindo:

  • Presença ou ausência de modal.
  • Confirmação simples ou dupla confirmação.
  • Confirmação na primeira ou na segunda tela.
  • Inclusão de informações sobre boletim de ocorrência.
  • Mudanças na apresentação das orientações e das condições de utilização do mecanismo.

Buscávamos entender como essas decisões poderiam influenciar a continuidade da jornada e contribuir para um uso mais consciente da contestação.

O objetivo não era incentivar mais contestações nem impedir solicitações, mas equilibrar clareza, responsabilidade e acesso.

Variantes A, B, C e D da jornada de contestação Pix testadas no experimento. Ampliar imagem

Resultados

A — Controle

Abandono
4%
Aberturas devidas
40%
Chegada à tela de resumo
43%

B

Abandono
6%
Aberturas devidas
42%
Chegada à tela de resumo
44%

C

Abandono
9%
Aberturas devidas
45%
Chegada à tela de resumo
44%

D

Selecionada

Abandono
12%
Aberturas devidas
43%
Chegada à tela de resumo
44%

O experimento envolveu milhares de clientes, teve acompanhamento da área de Experimentação do Itaú e passou por validação estatística.

Durante os 13 dias analisados, comparamos as quatro variantes a partir de indicadores de comportamento e adequação das solicitações.

A variante D foi selecionada para implementação, após registrar a maior taxa de abandono na etapa analisada: 12%, contra 4% no grupo de controle.

Embora a variante C tenha apresentado o maior percentual observado de aberturas devidas (45%), a decisão priorizou o aumento do abandono na etapa, em alinhamento com o objetivo operacional do experimento.

A seleção da variante D fez parte de uma estratégia para reduzir a continuidade de solicitações potencialmente inadequadas, preservando a possibilidade de contestação.

Aprendizado

O experimento mostrou que uma métrica tradicionalmente interpretada como negativa pode assumir outro significado dependendo do contexto.

Em uma jornada de contestação, o abandono não era necessariamente um problema a ser eliminado. O desafio estava em oferecer informações suficientes para que as pessoas compreendessem as regras e reconsiderassem solicitações que não correspondiam à finalidade do MED.

Ao mesmo tempo, maior abandono, isoladamente, não comprova que apenas solicitações inadequadas deixaram de avançar. Por isso, a avaliação precisava considerar o objetivo operacional, os indicadores de adequação e as restrições regulatórias.

A escolha da variante D reforçou a importância de avaliar decisões de conteúdo a partir do contexto completo da experiência, e não de uma métrica isolada.

Resultados e aprendizados

A métrica certa depende do comportamento que queremos compreender

Os dois experimentos tiveram objetivos distintos.

Na Portocred, o teste permitiu observar quais abordagens de CTA geravam mais cliques em uma campanha de crédito. No Itaú, a experimentação avaliou como diferentes formas de comunicar regras e solicitar confirmação se relacionavam com a continuidade de uma jornada regulada.

Enquanto o primeiro explorou maneiras de aumentar a interação, o segundo investigou como favorecer decisões mais conscientes antes de prosseguir.

Os projetos demonstram que experimentar conteúdo exige compreender o contexto, formular hipóteses e interpretar indicadores de acordo com o problema que se pretende resolver.

Mais cliques nem sempre significam mais conversões. Da mesma forma, menos abandono nem sempre representa uma experiência melhor.

O valor da experimentação está em transformar escolhas de linguagem e interface em decisões fundamentadas por evidências, considerando seus efeitos para as pessoas e para o negócio.

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