CONTENT DESIGN · TESTES A/B
Experimentação de conteúdo em produtos financeiros
Autoria: Ana Flavia Maestri
Dois experimentos que exploraram como escolhas de linguagem e interface influenciam o comportamento das pessoas e apoiam decisões de negócio.
- Maior taxa de cliques observada · Portocred
38,71%
Maior taxa de cliques observada · Portocred
- Abandono na variante selecionada · Itaú
12%
Abandono na variante selecionada · Itaú
Contexto
Experimentar para tomar decisões mais informadas
Em produtos financeiros, uma escolha de conteúdo pode influenciar desde o interesse por uma oferta até a compreensão das condições de um serviço.
Os dois experimentos reunidos neste case partiram de desafios diferentes: aumentar a interação com uma campanha de crédito e promover o uso consciente de um mecanismo de contestação Pix.
Em ambos, a experimentação permitiu comparar alternativas de comunicação a partir de dados de comportamento, considerando os objetivos do produto e as necessidades das pessoas.
O que foi feito
EXPERIMENTO 01 — PORTOCRED · 2022
Como diferentes abordagens de CTA influenciam a taxa de cliques?
Contexto e hipótese
Em uma campanha de e-mail marketing desenvolvida pela Parcelex em parceria com a Portocred, para oferta de empréstimo pessoal, buscamos identificar quais abordagens de comunicação despertavam maior interesse.
Fui responsável pela estratégia de conteúdo e pela redação do e-mail marketing, incluindo a criação das quatro variações de CTA utilizadas no experimento. O design visual do e-mail foi desenvolvido por Product Design.
Para isso, testamos quatro variações do texto do botão de chamada para ação, distribuídas aleatoriamente pelo HubSpot. O restante do e-mail permaneceu igual, permitindo comparar o desempenho das alternativas.
A hipótese era que diferentes escolhas de linguagem, mesmo em um único componente, poderiam influenciar a disposição das pessoas para clicar e conhecer a oferta.
Estratégia de conteúdo
As quatro alternativas exploraram abordagens distintas:
A — Exclusividade: destacar a possibilidade de condições especiais, com uma chamada de baixo comprometimento. CTA: “Conferir condições especiais”.
B — Urgência: utilizar uma chamada direta, associada à ação imediata de solicitar o produto. CTA: “Solicitar empréstimo agora”.
C — Identificação pessoal: aproximar a mensagem da linguagem cotidiana, expressando a necessidade de crédito em primeira pessoa. CTA: “Preciso de empréstimo”.
D — Racionalidade: apresentar a simulação como etapa anterior à decisão de contratar. CTA: “Simular empréstimo pessoal”.
Resultados observados
Exclusividade
Taxa de cliques
23,73%
Urgência
Taxa de cliques
38,71%
Maior taxa observada
Identificação pessoal
Taxa de cliques
22,78%
Racionalidade
Taxa de cliques
35,34%
As taxas representam cliques nos CTAs, não conversão em empréstimos. A comparação não estabelece significância estatística.
A variação B, com uma chamada direta à solicitação do empréstimo, registrou a maior taxa de cliques observada: 38,71%. Em seguida veio a variação D, orientada à simulação, com 35,34%.
As abordagens de exclusividade e identificação pessoal apresentaram taxas menores nesse experimento.
Aprendizado
As chamadas que explicitavam uma ação concreta — solicitar ou simular — registraram maior interação do que aquelas centradas em benefícios genéricos ou identificação pessoal.
O experimento forneceu evidências para orientar futuras decisões de comunicação, mostrando como pequenas mudanças de linguagem podem estar associadas a diferenças relevantes no comportamento.
Os percentuais representam resultados observados na campanha, sem comprovação documentada de significância estatística ou de maior conversão em empréstimos.
EXPERIMENTO 02 — ITAÚ · 2026
Como promover o uso consciente da contestação Pix sem criar barreiras de acesso?
Contexto e desafio
Com a introdução do Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, a contestação Pix passou a fazer parte de uma jornada ainda pouco familiar para muitas pessoas.
Havia dúvidas sobre as situações contempladas pelo mecanismo. Transferências enviadas por engano para a conta errada, por exemplo, também motivavam tentativas de contestação, embora não estivessem cobertas pelo MED.
Esse cenário contribuiu para um aumento expressivo das solicitações e trouxe desafios operacionais.
Ao mesmo tempo, havia uma restrição fundamental: a jornada não poderia impedir a abertura de uma contestação.
O desafio era tornar as regras mais compreensíveis e ajudar as pessoas a avaliar melhor suas solicitações, sem criar obstáculos indevidos para quem precisava utilizar o recurso.
Hipóteses e estratégia de conteúdo
Fui responsável pelo design das quatro variantes da interface e pela elaboração dos conteúdos testados, explorando diferentes formas de apresentar as regras do MED e solicitar confirmação durante a jornada de contestação Pix.
O experimento foi conduzido em parceria com a área de Experimentação do Itaú, responsável pelo rigor metodológico e pela validação estatística.
As alternativas exploraram diferentes maneiras de apresentar informações e solicitar confirmação, incluindo:
- Presença ou ausência de modal.
- Confirmação simples ou dupla confirmação.
- Confirmação na primeira ou na segunda tela.
- Inclusão de informações sobre boletim de ocorrência.
- Mudanças na apresentação das orientações e das condições de utilização do mecanismo.
Buscávamos entender como essas decisões poderiam influenciar a continuidade da jornada e contribuir para um uso mais consciente da contestação.
O objetivo não era incentivar mais contestações nem impedir solicitações, mas equilibrar clareza, responsabilidade e acesso.
Resultados
A — Controle
- Abandono
- 4%
- Aberturas devidas
- 40%
- Chegada à tela de resumo
- 43%
B
- Abandono
- 6%
- Aberturas devidas
- 42%
- Chegada à tela de resumo
- 44%
C
- Abandono
- 9%
- Aberturas devidas
- 45%
- Chegada à tela de resumo
- 44%
D
Selecionada
- Abandono
- 12%
- Aberturas devidas
- 43%
- Chegada à tela de resumo
- 44%
O experimento envolveu milhares de clientes, teve acompanhamento da área de Experimentação do Itaú e passou por validação estatística.
Durante os 13 dias analisados, comparamos as quatro variantes a partir de indicadores de comportamento e adequação das solicitações.
A variante D foi selecionada para implementação, após registrar a maior taxa de abandono na etapa analisada: 12%, contra 4% no grupo de controle.
Embora a variante C tenha apresentado o maior percentual observado de aberturas devidas (45%), a decisão priorizou o aumento do abandono na etapa, em alinhamento com o objetivo operacional do experimento.
A seleção da variante D fez parte de uma estratégia para reduzir a continuidade de solicitações potencialmente inadequadas, preservando a possibilidade de contestação.
Aprendizado
O experimento mostrou que uma métrica tradicionalmente interpretada como negativa pode assumir outro significado dependendo do contexto.
Em uma jornada de contestação, o abandono não era necessariamente um problema a ser eliminado. O desafio estava em oferecer informações suficientes para que as pessoas compreendessem as regras e reconsiderassem solicitações que não correspondiam à finalidade do MED.
Ao mesmo tempo, maior abandono, isoladamente, não comprova que apenas solicitações inadequadas deixaram de avançar. Por isso, a avaliação precisava considerar o objetivo operacional, os indicadores de adequação e as restrições regulatórias.
A escolha da variante D reforçou a importância de avaliar decisões de conteúdo a partir do contexto completo da experiência, e não de uma métrica isolada.
Resultados e aprendizados
A métrica certa depende do comportamento que queremos compreender
Os dois experimentos tiveram objetivos distintos.
Na Portocred, o teste permitiu observar quais abordagens de CTA geravam mais cliques em uma campanha de crédito. No Itaú, a experimentação avaliou como diferentes formas de comunicar regras e solicitar confirmação se relacionavam com a continuidade de uma jornada regulada.
Enquanto o primeiro explorou maneiras de aumentar a interação, o segundo investigou como favorecer decisões mais conscientes antes de prosseguir.
Os projetos demonstram que experimentar conteúdo exige compreender o contexto, formular hipóteses e interpretar indicadores de acordo com o problema que se pretende resolver.
Mais cliques nem sempre significam mais conversões. Da mesma forma, menos abandono nem sempre representa uma experiência melhor.
O valor da experimentação está em transformar escolhas de linguagem e interface em decisões fundamentadas por evidências, considerando seus efeitos para as pessoas e para o negócio.
O que achou do compilado?
Participar é opcional. Uso o feedback para melhorar o conteúdo e a experiência do portfólio. Os comentários não serão publicados. Um identificador aleatório neste navegador permite alterar seu voto; não envie dados pessoais ou sensíveis.